Os atos de Atos

O último texto apresentou a construção do livro de Atos, apresentando a motivação do autor e a forma como foi estruturada a narrativa. Hoje vamos falar sobre as histórias contidas no livro, porém, não irei discorrer sobre cada história e como aconteceu aqui no blog, apenas farei algumas citações e as contarei na Escola Dominical. Perdão a quem apenas lê este blog, mas garanto que valerá a pena ler as histórias por si mesmos.
Lembrando que o livro pode ser dividido em três partes e cada parte é definida por um acontecimento, não deixarei de citá-los aqui.
Toda estrutura de Atos é baseada no versículo oito do capítulo um: “… ser-me-ei testemunhas, tanto em Jerusalém, quanto em toda Judeia e Samaria e até aos confins da Terra…”.
Então, a marca do início da pregação em Jerusalém é o dia de Pentecostes, onde Pedro se levanta revestidos de autoridade e prega para quase 3 mil pessoas que se convertem e são batizados.
Após este fato, se seguiu:
– A cura do coxo na porta do templo;
– Pedro explica o que aconteceu;
– Pedro e João são presos e em seu julgamento são ordenados a não falarem mais de Jesus – Neste momento Pedro diz que mais vale obedecer a Deus que aos homens.
– O modo de vida dos cristãos – Ananias e Safira;
– Novamente os apóstolos são presos e Gamaliel apresenta sua tese.
– É instituída a diaconia.
Um dos mais notáveis diáconos é morto apedrejado – Estevão – iniciando a perseguição aos cristãos e dispensando-os pela Judeia e Samaria.
– Filipe inicia seu trabalho missionário em Samaria, Pedro e João vão visitá-lo e Filipe é enviado ao deserto para pregar ao Eunuco.
– Saulo se converte, inicia seu ministério em Damasco e é levado a Jerusalém, onde é defendido por Barnabé.
O início da pregação do evangelho “até aos confins da terra” inicia-se quando Pedro tem uma visão e é levado perante Cornélio. Este, um centurião romano, que estava curioso para conhecer a pregação do evangelho. Ao receber a Pedro e ouvir a mensagem, Cornélio e todos seus servos receberam o batismo com Espírito Santo, sendo posteriormente batizados nas águas.
– Herodes mata a Tiago irmão de João e prende a Pedro que é milagrosamente solto.
– Barnabé e Saulo são separados para missões.
– Primeira viagem missionária de Paulo.
– A discussão sobre a circuncisão dos gentios e o parecer de Tiago (irmão de Jesus).
– Segunda viagem missionária de Paulo – a separação entre ele e Barnabé.
– Terceira viagem missionária de Paulo – Paulo e Apolo
– Paulo em Jerusalém, sua prisão, defesa e apelo a julgamento por César.
– Paulo perante Felix, Festo e Agripa – momento em que Paulo seria solto se não tivesse apelado a César.
– Viagem de Paulo a Roma, o Naufrágio, a ilha de Malta e a prisão domiciliar.

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As atividades dos enviados.

 

Hoje falaremos um pouco sobre o livro dos Atos dos Apóstolos, na verdade, teremos duas lições a respeito. A primeira será focada no contexto e numa visão mais técnica sobre o livro, a segunda terá seu foco no conteúdo do mesmo.
Diferentemente da maioria dos livros do Antigo Testamento que contam uma narrativa sequêncial (Pentateuco, Josué, Juízes, etc) no Novo Testamento, apenas Atos é a continuação de outro livro, o Evangelho segundo São Lucas.
Considerando que ambos os livros foram escritos por Lucas e endereçados a Teófilo, podemos concluir que este livro também foi escrito com foco para os cristãos não judeus.
Seu objetivo ao escrever este livro é divulgar e documentar a expansão do evangelho nos primóridos da igreja e ao contrário do que o nome diz, a menor parte deste livro encarrega-se de mostrar “os doze”, porém é mostrado com mais afinco os trabalhos de Pedro e principalmente Paulo, na divulgação do evangelho. De certa forma, a realidade do conteúdo de Atos se difere de seu título devido ao enorme foco em um apóstolo que nem mesmo era um dos “doze”, talvez seja por isso que nem mesmo na introdução e apresentação deste tratado, Lucas tenha se referido a ele como atos dos apóstolos, tendo o mesmo recebido este nome dos membros da igreja primitiva.
O livro é rico em detalhes e escrito com muita qualidade técnica. A narrativa alterna entre escrita em terceira pessoa e primeira pessoa do plural, visto que além de historiador, Lucas vivenciou diversos momentos da história narrada.
Podemos dividir a narrativa de Atos em três partes:
1 – A pregação do evangelho em Jerusalém: Esta parte narra a ascenção de Cristo, a organização inicial da igreja, o pentecostes, a vida dos cristãos e termina com a morte de Estevão.
2 – A pregação do evangelho na Judéia e Samaria – Com a morte de Estevão, a igreja começou a ser perseguida, sendo obrigada a expandir sua área de atuação, esta parte do texto descreve o início das atividades de Pedro e Filipe.
3 – Até aos confins da terra – Iniciando com a conversão de Paulo, que passa a ser o personagem principal do livro, a história começa a centrar-se na pregação do evangelho para os gentios não judeus, sendo que as principais incursões narradas neste contexto são as viagens missionárias de Paulo.

O Evangelho segundo São João

Como vimos anteriormente, os três primeiros evangelhos são chamados de sinópticos, porém o evangelho de João não se enquadra nessa classificação.
A primeira diferença entre João e os sinópticos está na forma como Jesus é apresentado. Neste, Ele é apresentado desde o começo como “o cordeiro de Deus”, sua divindade é atestada desde o sempre, enquanto nos outros, existe uma gradação da revelação divina de Jesus para com o povo.
Outro ponto único de João é que ele foi endereçado a todo o mundo e não a determinado povo, em determinada região.
Cerca de 92% do conteúdo de João é único, contudo, suas narrativas coincidem com o contexto apresentado nos outros evangelhos.
João tem por objetivo encorajar a fé e revelar toda a divindade de Cristo, apresentando a salvação a todo o que crê.
O autor é reconhecido como um autêntico judeu, profundamente religioso e conhecedor das tradições e ansiedades do seu povo, que ao encontrar Jesus o reconheceu indubitavelmente como o Messias esperado. João era conhecido por ser o “discípulo” amado. Aquele que se reclinava ao ombro de Jesus na ceia e aquele a quem Jesus deu a incumbência de cuidar de Maria, sua mãe. Tendo escrito este livro cerca de 30 anos depois dos outros evangelhos.
Este evangelho, não é uma narrativa bibliográfica sobre Jesus, ele basicamente é uma transcriação dos ensinos do mestre e seu escritor não tem vergonha nenhuma de acrescentar aos ensinos de Jesus o quanto eles o afetaram, sendo em alguns casos, difícil de separar o que é um discurso de Jesus, do que é o sentimento de João sobre isso.
João tem a preocupação de frisar os locais onde aconteceram os fatos e diferentemente dos sinópticos, que narram o ministério de Jesus na região da Galileia, João tem seu enfoque maior em Jerusalém, correlacionando o ministérios de Jesus com as grandes festas judaicas. Esta correlação, assim como o simbolismo, as referências ao Antigo Testamento e as referências a cultura humana, transformam este livro em uma fantástica obra literária, que de uma forma intimista, nos faz sentir mais próximos a Deus, que se fez carne na pessoa de seu filho, para nos salvar e nos ensinar a viver segundo sua palavra.

A divisão do Novo Testamento

A divisão do Novo Testamento

Durante os primeiros séculos do Cristianismo, o Antigo Testamento foi considerado como a única Bíblia, sendo a base de toda a pregação evangelística na época. Devemos considerar que Cristo em nenhum momento revogou os princípios e os ensinamentos do Antigo Testamento, em sua vida Ele nos ensinou sobre o que significavam aqueles ritos nos dando uma visão mais intimista do AT.
Contudo, a crescente igreja cristã compreendia que em Jesus “as coisas velhas se passaram e eis que tudo se fazia novo” (2 Co 5.17) e dentro desta “nova realidade”, por muitas vezes os cristãos entravam em conflito por não compreenderem corretamente os ensinos de Jesus (vide o caso de 1 Co 3.4). Criando-se uma necessidade de cartas normativas, que assim como as parábolas de Cristo, pudessem transcender a história e traduzir seus ensinos para as particularidades de cada grupo de cristão.
A igreja primitiva começou a fazer uso destes 27 livros como base para seus ensinos, principalmente pela credibilidade de seus autores e conteúdo, que em sua maioria absoluta atestavam a Cristo como Filho de Deus e que nele se cumpriam as antigas profecias messiânicas do povo de Israel.
Desta feita, a Igreja compreendeu que deveria canonizar as provas do cumprimento da principal profecia divina, chamando a todas as escrituras anteriores a vinda de Cristo de Antigo Testamento e, reconhecendo a inspiração divina destes 27 livros, os chamou de Novo Testamento.
O processo de catalogação e canonização do NT durou até o século V.
Os livros do Novo Testamento foram organizados baseados em temas e autores, transmitindo a ideia de gradação, iniciada com a manifestação de Deus na terra por meio de Jesus Cristo (Evangelhos), passando pela história e consolidação do seu reino na terra (História e epístolas) até o fim dos tempos (Apocalipse).
Sua divisão temática pode ser apresentada da seguinte maneira:
– Evangelhos, divididos em:
* Evangelhos sinóticos: Mateus, Marcos e Lucas
* Evangelho de João
– História:
* Atos dos Apóstolos
– Epístolas:
* Epístolas Paulinas: Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, Filemom
* Epístola aos Hebreus
* Epístolas Universais: Tiago, 1 e 2 Pedro, 1, 2 e 3 João e Judas
– Escatológico: Apocalipse